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        SHOCHU, tem a tradução ao pé da letra, como um “Saquê Queimado”. Se trata de um uma bebida destilada, muito apreciada pelos japoneses, e principalmente pelo público feminino, por não conter açúcar.

        Para entender a chegada do Shochu, vamos observar as 3 rotas de chegada ao Japão. A origem vem de Alexandria, entre o século III à VII, passando para a Índia no século VII à X. De lá, dividiram em duas rotas, sendo que uma para a Tailândia, onde iniciou a bebida destilada de arroz. Por volta do século XV, percorre a Ásia de Monções, e tem a sua entrada no Japão,em 1477, na província de Okinawa. Os moradores, denominaram de Awamori. Na segunda rota, segue para Laos, China e posteriormente, o shochu entra na parte norte da Ilha de Kyushu, pelo porto de Nagasaki, que por sinal, o portão de entrada do Japão. Na terceira rota, o shochu, da China passa pela Coréia do Sul e também entra pela parte norte de Kyushu.

        O AWAMORI, começa a ser produzido em terras japonesas, utilizando arroz tailandês, uma vez que o grão japonês, era consumido mais pela elite. Não era muito raro, encontrar pessoas que nunca tinham provado o arroz. Portanto era inevitável misturar milho e melaço, para compensar o arroz.

        Mais de meio século depois, o awamori, chega na ilha de Amami. Mas para os moradores, mesmo que se interessem pela bebida, não haviam muitos recursos naturais, a não ser o açúcar mascavo. Mas como manda a tradição, os japoneses valorizam os recursos que possuem, e criam o SHOCHU DE AÇÚCAR MASCAVO, trazendo bastante alegria e esperança, de ter um símbolo reconhecido pelo país.

        Com a chegada da batata-doce na província de Kagoshima, procedente do sul da China, os agricultores adotam o cultivo e criam o SHOCHU DE BATATA-DOCE, no século XVII. Também considera-se o berço desta bebida, a ilha de Izu, no meio do pacífico. Sua a localização, é mais próxima de Tokyo. Na ocasião, um representante comercial, chamado Tansou Shoemon, nascido na província de Kagoshima, na cidade de Akune, levou o seu conhecimento do plantio da batata-doce naquela ilha, e também toda a técnica de produção do Shochu da batata. Isso ocorreu no século XIX.

        O Shochu que foi muito bem acolhido na ilha de Kyushu, oi se espalhando em toda a província de Kagoshima, subindo para Miyazaki e Kumamoto, províncias de fronteira. Adaptando com ingredientes locais, nasce também outras variedades com o SHOCHU DE TRIGO SARRACENO.

        Agora existe uma outra rota de entrada que ocorreu no século XVII, na província de Fukuoka, o coração da produção de Saquê Fermentado. Mas como já dissemos, o consumo do arroz era voltado para a classe de elite, conseqüentemente o fermentado, não era disponibilizado à população. Com a técnica do Shochu, os agricultores resolveram usar o resíduo do saquê, para produzir o KASUTORI SHOCHU, e assim presente na celebração da boa colheita, por vários anos. De tanto que os produtores valorizavam a nova bebida, que para o plantio da nova safra, despejavam nas terras, e desejar mais um ano de boa colheita.

        No século XIX, a província de Nagasaki, era um dos maiores produtores de arroz e saquê fermentado em todo o Japão. Porém com uma drástica mudança climática, o governo teve que redirecionar e suprir o abastecimento de arroz para outras localidades. Sendo assim, os moradores locais, sem conseguir produzir o fermentado, descobriram que na província vizinha fabricava o saquê destilado do resíduo de arroz. Mas sempre com um espírito competitivo, deram atenção para um outro grão que ocupava a segunda posição, a cevada. Portanto, começa o investimento para a produção do SHOCHU DE CEVADA.

        Atualmente, o shochu é produzido em várias partes do Japão. Usando ingredientes variados, como a folha de Aloe, Folha de Perilla (Shisso), Milho, Cana e Cenoura. Há também, Saquês, feitas a base de leite, pimentão, o nosso côco brasileiro, e mais um monte de ingredientes, que só os japoneses conseguem inventar. Para conhecer essas iguarias, clique aqui.


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